Os policiais civis do Paraná podem entrar em greve a partir do dia 24 de janeiro. A categoria está insatisfeita com os baixos salários e também reclama da falta de atualização do estatuto, que trata do plano de modernização da polícia.

Eles reclamam ainda das condições de trabalho, como afirma o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Paraná, André Gutierrez. Ele garante que caso não haja novidade até o fim deste mês, os policiais vão cruzar os braços por tempo indeterminado.
A manifestação está agendada para o dia 24 de janeiro, no centro cívico. Em todo o Paraná são pouco mais de 3 mil policiais civis. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirma que está em negociação com a categoria.
Segue abaixo a carta de comunicação feira pelos policiais:

CARTA ABERTA
Os Policiais Civis dos Paraná vem informar por meio deste documento, que após paciente e ordeira espera, findou-se o ano de 2011 e não obtivemos nada além de conversa sem nenhum efeito prático, para o tema que trata da valorização da carreira de Policial Civil e implantação do Plano de Carreiras, de nossa instituição, em razão disto entraremos em Estado de Greve, em data a ser decidida em assembleia da categoria, caso não haja uma resposta clara, objetiva e devidamente documentada por parte do Poder Executivo.
Vários são os motivos para tal mobilização, seria demorado tratar de todos, mas o maior deles é o abismo que existe entre os rendimentos dos delegados de polícia e dos policiais de base em nosso Estado, não há nada parecido, nem mesmo na Polícia Federal, no Distrito Federal ou em nenhuma outra unidade da federação, se vê o delegado ganhando quase cinco vezes mais que o policial civil de base, somos Policiais Civis do Estado do Paraná, reiterando se considerarmos o critério de remuneração delegado X policial de base, somos os policiais civis mais desvalorizados do Brasil, queremos informar a nossa real disposição em resolver as coisas com sobriedade, não deveríamos ter deixado que a situação alcançasse este grau de descontrole, porém agora, para resolver este assunto estamos dispostos a ir as últimas consequências, respeitando os parâmetros legais.
O maior propósito deste movimento é de informar nossa insatisfação com a presente situação, esclarecendo que não imputamos culpa por tal fato ao atual governo, pois isto é herança de governos anteriores, mas entendemos que é seu dever resolver o problema, visto que se comprometeu publicamente a fazê-lo, esperávamos para o fim de 2011, se não o cumprimento efetivo deste compromisso, pelo menos a apresentação de um documento que estipulasse datas e valores de forma prática, mas após um ano do novo governo nada aconteceu.
Estivemos pacientemente, aguardando que nos fossem cumpridas promessas que estamos ouvindo há muito tempo, mas sempre foram só promessas, como não houve solução para pelo menos parte destes problemas, nem compromisso documentado, para a aprovação e implantação deste projeto de Plano de Carreira, não nos restou opção senão a de nos mobilizar para o indesejado confronto, que se acontecer, terá efeitos nefastos para todos, nós como classe pois ainda que de forma temporária deixamos de cumprir nossa missão, para a sociedade que terá agravado o quadro de insegurança e também para o Estado que deixará de cumprir com sua obrigação de promover a segurança pública.
O sentimento é unânime, esgotaram todo e qualquer sinal de tolerância que podíamos ter com a presente situação, não é mais possível sustentar o quadro de abandono de nossa classe de profissionais, sem treinamento regular, sem armas adequadas, com viaturas em número insuficiente, mal utilizadas, sucateadas, quando novas com motor de mil cilindradas, ou reprovadas no controle de qualidade de fábrica, carga horária em muito superior a estipulada em lei, efetivo defasado, desvio de função para atividades que não fomos equipados ou treinados, nem temos competência funcional.
Muitos policiais quando não perderam a vida, acabaram privados de membros e mobilidade, estando hoje na condição de amputados, paraplégicos e tetraplégicos, por conta de ações em serviço, muitos se suicidaram de forma rápida e trágica, outros se destruíram aos poucos, pelo uso de drogas e álcool, colegas perdem a vida e dignidade pelo vício, morrem vagarosamente de cirrose hepática, por não estarem preparados, nem terem suporte da instituição, para lidar com o que a vida profissional lhes trouxe.
A nenhuma outra classe de profissionais é pedido que pague com tributo de sangue o exercício da profissão, somente aos profissionais de segurança, a obrigação legal de não fugir do perigo determina que, quando surge o risco, todos podem fugir para se salvar, nós não, devemos enfrentar de forma sóbria e consciente toda e qualquer situação, mesmo que nos custe o bem maior, somos mais cobrados que todos.
No entanto em contrapartida, não nos são dadas às condições mínimas para o trabalho, nem de vida digna, esta é nossa realidade, mas pode mudar para melhor, é o momento certo, as pessoas são as corretas, precisamos de sensibilidade por parte principalmente da sociedade paranaense e também dos poderes Executivo e Legislativo de nosso Estado, precisamos de luta e vontade real de promover esta mudança, então lutemos, sem confrontos desnecessários, sem a busca por satisfação pouco producente, sempre pautados pelo equilíbrio e o bom senso.
Desejamos o melhor para o povo paranaense, mas precisamos do devido retorno do nosso empenho, é necessário atrair e manter em nossas fileiras homens de fibra e caráter comprometidos com a nossa missão que é a real promoção da justiça, um grande número destes, aprovados nos últimos concursos, para as classes de base, já nos deixaram buscando instituições que melhor valorizam os seus integrantes, isto não deveria estar acontecendo, pois indica algo grave, algo que inspira a reflexão de todas a pessoas conscientes da população.
Este documento é assinado por todos os servidores Policiais Civis, que estejam comprometidos com a melhoria da qualidade dos serviços prestados a população e valorização da carreira de Policial Civil do Paraná.
Fonte: Polícia Civil / Joice Hasselmann