Os números comprovatórios foram divulgados nesta segunda-feira (22), pela Central de Regulação.
Enganar. Matar. No Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) esses dois verbos são quase sinônimos, uma vez que passar trote para o Samu 192 é uma forma de sabotar a vida. Mesmo assim, em 60 dias de atendimento aos 42 municípios sudoestinos foram 1.112 trotes recebidos, correspondente a 13% do total de 8.379 ligações, que geraram 5.023 atendimentos.

Parcerias com entidades já estão articuladas para diminuir os casos de trotes, formatando muito em breve o Programa Samuzinho, voltado principalmente às crianças. “Preocupa a situação dos trotes que têm crescido gradativamente. Iniciamos o primeiro mês de atendimentos com 10% de trotes. Completamos dois meses chegando a 13%, um acréscimo de 3% que nos preocupa, mas ao mesmo tempo, demonstra que a população está usando mais o serviço. Talvez da forma incorreta, mas podemos orientar isso, o que estamos propondo num projeto-piloto de educação que se inicia nos próximos dias. É voltado às crianças que são realmente quem leva essas informações para casa e se tornam cidadãos melhores no futuro”, discorre a coordenadora-geral do Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgências do Sudoeste do Paraná (Ciruspar), Kelly Cristine Custódio dos Santos.
Ligações mal intencionadas têm chegado aos médicos e já houve situações dispendiosas onde o “mentiroso” criou uma situação tão real, como de um atropelamento, que a ambulância do Samu e até mesmo a viatura da polícia circularam em vão. Dinheiro público jogado fora e estresse gratuito.
“O trote atrapalha, pois a pessoa que está fazendo o trote está ocupando a linha 192, que é específica para atendimento de urgência em, além de estar ocupando a linha, muitas vezes deslocamos ambulâncias para a chamada do trote, procuramos e não encontramos. Essa ambulância, esse telefonista e mesmo o médico, ao invés de atender uma ocorrência que é séria e precisa do atendimento médico, os ocupamos para dar assistência a um falso chamado que só veio para prejudicar.
Se ocupa muitas vezes a ambulância básica, a avançada, o telefonista, o rádio operador e se perde tempo para as outras ocorrências. De repente, alguém da família deste que está dando o trote vai deixar de ser atendido para atendermos uma coisa sem importância alguma, só uma brincadeira das pessoas com o Samu”, repreendeu o coordenador-médico do Samu 192 Sudoeste, Gilmar Alberto Abegg.
Salvar 700 vidas em um ano
O gerente administrativo do Samu Sudoeste, Fernando Gugik salientou que “60 dias é um prazo muito curto para que a população entenda a importância do serviço Samu de urgência e emergência. É um serviço extremamente moderno onde todos os 304 servidores dessa equipe maciça busca salvar mais de 700 vidas já no primeiro ano de implante”.
O coordenador de enfermagem do Samu 192 Sudoeste, enfermeiro Gerson Luiz Leonarski mencionou que diariamente se busca melhorar as equipes para que sejam os primeiros a se tornarem multiplicadores do conhecimento a evitar a questão do trote. “Um exemplo básico foi nesse último sábado (20), quando fomos ao município de Chopinzinho capacitar todos os enfermeiros do município e esses vão capacitar os seus colaboradores. Depois os voluntários vão se dirigir às escolas, creches e outros órgãos públicos”, ilustrou.
O Samu 192 é um elemento da rede nacional de atenção às urgências, que é um sistema novo no próprio país. Kelly relaciona o engajamento necessário à grade de referências. “Os serviços de apoio, os hospitais e pronto-atendimentos, os municípios em seus centros municipais de saúde, estão se adaptando a essa nova proposta da regulação médica. Essa primeira etapa passa pela preparação dos serviços para atendimento do Samu 192. O Samu é um importante observatório de todo esse sistema.
Através da regulação médica nós conseguimos uma importante ferramenta que é a de visualizar onde estão os pontos que precisam de uma atenção maior, tipo onde temos mais traumas? mais problemas cardíacos? Todas essas informações poderemos fornecer aos municípios, através das estatísticas da Central de Regulação. Muitas vezes o Samu vai levar para os hospitais pessoas que antes não tinham chance de sobrevida, pois não tinham esse atendimento imediato e morriam no próprio local. Dessa forma, também os hospitais estão tendo que passar por uma reestruturação na porta de entrada, da mesma forma que o pronto atendimento e unidades básicas de saúde. Tudo isso para reforçar o sistema e adequar a rede de urgência e emergência”.
Fernando Gugik salienta que a política de urgência e emergência vem chegando agora ao conhecimento da população e que “o trabalho do Samu é fazer a agilização dos serviços, ter o profissional ideal e de medicina pronto para fazer o atendimento na hora de um mal súbito, da urgência e emergência, do acidente e da desgraça. A população deve saber que esse é o caminho certo em busca da melhoria da qualidade de vida. A nossa população do Sudoeste ainda precisa fazer com que toda essa estrutura possa andar a contento. Existe diferenciação no serviço 193 dos Bombeiros e do 192 do Samu. Também a nossa equipe ainda não está completa. Estamos buscando mais médicos. Já temos 40 médicos trabalhando nos 42 municípios e dez bases. Mais profissionais virão com o passar do tempo e com o aculturamento das pessoas sabendo que precisam dar as informações ideais na hora de chamar o 192. Nós temos a certeza que isso é política moderna e isso é trabalhar em prol da vida”, afirmou Gugik.
fonte: (http://www.noticiaspoliciais.com.br)